A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta quinta-feira (4) a descoberta de possível presença de água salgada na superfície de Marte. Segundo a análise de imagens obtidas pelo Experimento Científico de Imagens de Alta Resolução (HiRise) do Orbitador de Reconhecimento de Marte (MRO, na sigla em inglês), há manchas superficiais no planeta que aparecem nas encostas durante a temporada de calor e desaparecem na temporada de frio."Estamos muito contentes com essa descoberta, mas é o princípio de um processo que acabamos de começar", afirmou Alfred McEwen, professor da Universidade do Arizona e membro da equipe do MRO. O Orbitador explora o astro vizinho desde 2006.
Alguns aspectos das imagens ainda intrigam os cientistas, mas eles já estão quase certos de que elas apontem para a existência de água. “As variações nas manchas são diferentes de outras variações observadas na superfície marciana”, disse o cientista Richard Zurek, também membro do MRO.
Ainda não há provas definitivas de que em Marte haja água líquida ativa, mas foi detectada água congelada perto da superfície do planeta em regiões de latitude média e alta. As imagens conseguidas pelo MRO mostram manchas de 45 cm a 4 metros e meio de largura, com profundidades de mais de 100 metros.
Segundo a agência americana, esses grupos de linhas escuras poderiam potencialmente estar formados por um fluxo de água salgada, embora, por enquanto, seja apenas uma hipótese, já que as observações relatadas nessa primeira fase do estudo não podem comprovar nada. As imagens mostram correntes escuras durante os meses quentes, o que sugere que há um material aquoso, embora não se tenha conseguido detectar nenhum. Como as condições de temperatura no local são muito extremas - quentes demais para CO2 congelado e frias demais para água normal -, a melhor aposta é que seja água salgada.
Lisa Pratt, bioquímica e geóloga da Universidade de Indiana, disse que ainda é uma opção "muito especulativa", mas se houvesse confirmação de que se trata de um fluido, voltaria a abrir as possibilidades de encontrar microorganismos no planeta vermelho.
As imagens estudadas cobrem uma variedade de latitudes e abrangem um período de aproximadamente três anos marcianos. Cada ano marciano equivale a 687 dias terrestres. As variações foram localizadas com um algoritmo de detecção de mudanças capazes de identificar as alterações sutis que ocorrem na superfície marciana e descobriram que alguns dos sulcos tinham crescido mais de 200 metros em apenas dois meses terrestres.
REVISTA ÉPOCA




