quinta-feira, 28 de abril de 2011

Empresa anuncia método para tirar energia de lixo nuclear

General Eletronics, uma das maiores fabricantes mundiais de reatores, pretende transformar resíduos radioativos em combustível para novas usinas.


O problema do lixo radioativo gerado pela indústria nuclear pode, se não ter uma solução, ser amenizado. A “GE Hitachi Nuclear Energy”, uma das maiores fornecedoras de reatores nucleares do mundo, anunciou que pode transformar resíduos atômicos em combustível para usinas nucleares avançadas.
A tecnologia consiste em separar o lixo nuclear em três grupos básicos de materiais. O primeiro tipo são os produtos de fissão que não servem como combustível para os reatores nucleares, ou seja, que teriam de ser armazenados. Em vez de 1 milhão de anos, como acontece quando não são separados, estes produtos necessitariam de “apenas” algumas centenas de anos de armazenamento.

O segundo tipo é o urânio residual, que poderia ser enriquecido novamente e usado em reatores tradicionais. E o último tipo selecionado são os transuranianos, elementos químicos artificiais mais pesados que o urânio, como o netúnio e o plutônio, que seriam transformados em combustível para novos tipos de reatores.

Nos outros processos já conhecidos de extração de combustível nuclear dos lixos atômicos, como o usado na França, o plutônio puro produzido é relativamente fácil de manusear, já que não é tão quente e tem uma radiação menos perigosa. Isto torna o elemento mais fácil de ser roubado, podendo ser usado na fabricação de armas e bombas nucleares.

Já no processo desenvolvido pela GE, o plutônio não é puro, ou seja, não é separado dos outros transuranianos. Assim, combinado a esses outros elementos, o combustível iria liberar 1.000 vezes mais calor e 10.000 vezes mais raios gama, o que o torna mais seguro contra roubos.

O anúncio da nova tecnologia da GE Hitachi vem em um momento estratégico. O presidente dos EUA nomeou recentemente um grupo para investigar melhores maneiras de lidar com os resíduos nucleares. A comissão, conhecida genericamente pelo nome de “blue-ribbon panel”, é convocada quando é necessário o estudo de alguma questão significante.

Além disso, o governo Obama, que já vinha mostrando apoio ao aumento da oferta de energia nuclear, anunciou nesta terça-feira um empréstimo de US$ 8,3 bilhões para a construção de novos reatores nucleares no país.

O antigo projeto dos EUA de armazenar definitivamente o lixo nuclear no complexo Yucca Mountain, em Nevada, foi por água abaixo, junto com os milhões de dólares investidos, o que pode favorecer a nova tecnologia. A empresa acredita que é possível produzir o novo sistema, composto por uma unidade de reciclagem, com três reatores que podem produzir potência máxima de 1.800 megawatts, instalado e funcionando em dez anos. Agora só resta alguém para investir.

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Produção de lixo cresce mais do que população urbana

E por falar em “lixo”, estudo realizado pela Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostra que a geração brasileira de lixo cresceu 6, 8% em 2010 comparada aos números do ano anterior – índice seis vezes maior do que o crescimento da população das cidades no mesmo período. O País eliminou um total de 60,8 milhões de toneladas de lixo sólido em 2010.
De acordo com o Panorama, cada brasileiro produziu em média 378 quilos de resíduos em 2010, contra os 359 quilos registrados em 2009 – um crescimento de 5,3%. A boa notícia é que a coleta de lixo também cresceu 7,7 % em 2010, foram 54,1 milhões de toneladas recolhidas.

No entanto, a reciclagem não acompanhou o crescimento da produção de lixo, 57,6% dos municípios brasileiros afirmaram contar com algum tipo iniciativa. Em 2009, foram 56, 6%. Cerca de 23 milhões de toneladas de lixo ainda não têm destinação adequada em aterros sanitários, e acabam parar nos lixões.

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