General Eletronics, uma das maiores fabricantes mundiais de reatores, pretende transformar resíduos radioativos em combustível para novas usinas.O problema do lixo radioativo gerado pela indústria nuclear pode, se não ter uma solução, ser amenizado. A “GE Hitachi Nuclear Energy”, uma das maiores fornecedoras de reatores nucleares do mundo, anunciou que pode transformar resíduos atômicos em combustível para usinas nucleares avançadas.
A tecnologia consiste em separar o lixo nuclear em três grupos básicos de materiais. O primeiro tipo são os produtos de fissão que não servem como combustível para os reatores nucleares, ou seja, que teriam de ser armazenados. Em vez de 1 milhão de anos, como acontece quando não são separados, estes produtos necessitariam de “apenas” algumas centenas de anos de armazenamento.
O segundo tipo é o urânio residual, que poderia ser enriquecido novamente e usado em reatores tradicionais. E o último tipo selecionado são os transuranianos, elementos químicos artificiais mais pesados que o urânio, como o netúnio e o plutônio, que seriam transformados em combustível para novos tipos de reatores.
Nos outros processos já conhecidos de extração de combustível nuclear dos lixos atômicos, como o usado na França, o plutônio puro produzido é relativamente fácil de manusear, já que não é tão quente e tem uma radiação menos perigosa. Isto torna o elemento mais fácil de ser roubado, podendo ser usado na fabricação de armas e bombas nucleares.
Já no processo desenvolvido pela GE, o plutônio não é puro, ou seja, não é separado dos outros transuranianos. Assim, combinado a esses outros elementos, o combustível iria liberar 1.000 vezes mais calor e 10.000 vezes mais raios gama, o que o torna mais seguro contra roubos.
O anúncio da nova tecnologia da GE Hitachi vem em um momento estratégico. O presidente dos EUA nomeou recentemente um grupo para investigar melhores maneiras de lidar com os resíduos nucleares. A comissão, conhecida genericamente pelo nome de “blue-ribbon panel”, é convocada quando é necessário o estudo de alguma questão significante.
Além disso, o governo Obama, que já vinha mostrando apoio ao aumento da oferta de energia nuclear, anunciou nesta terça-feira um empréstimo de US$ 8,3 bilhões para a construção de novos reatores nucleares no país.
O antigo projeto dos EUA de armazenar definitivamente o lixo nuclear no complexo Yucca Mountain, em Nevada, foi por água abaixo, junto com os milhões de dólares investidos, o que pode favorecer a nova tecnologia. A empresa acredita que é possível produzir o novo sistema, composto por uma unidade de reciclagem, com três reatores que podem produzir potência máxima de 1.800 megawatts, instalado e funcionando em dez anos. Agora só resta alguém para investir.
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Produção de lixo cresce mais do que população urbana
E por falar em “lixo”, estudo realizado pela Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostra que a geração brasileira de lixo cresceu 6, 8% em 2010 comparada aos números do ano anterior – índice seis vezes maior do que o crescimento da população das cidades no mesmo período. O País eliminou um total de 60,8 milhões de toneladas de lixo sólido em 2010.
De acordo com o Panorama, cada brasileiro produziu em média 378 quilos de resíduos em 2010, contra os 359 quilos registrados em 2009 – um crescimento de 5,3%. A boa notícia é que a coleta de lixo também cresceu 7,7 % em 2010, foram 54,1 milhões de toneladas recolhidas.

No entanto, a reciclagem não acompanhou o crescimento da produção de lixo, 57,6% dos municípios brasileiros afirmaram contar com algum tipo iniciativa. Em 2009, foram 56, 6%. Cerca de 23 milhões de toneladas de lixo ainda não têm destinação adequada em aterros sanitários, e acabam parar nos lixões.
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