Pessoas que perderam a visão, degeneração muscular ou idade ou retinose pigmentar, incuráveis até o momento, podem se beneficiar de uma terapia que usa gene de alga. Visão de camundongos foi recuperada, nos EUA, injetando na retina dos animais um gene de alga. Até 2013 será testada em humanos.
Alan Horsager do Inst. de Medicina Genética da Univer. do sul da Califórnia explica: - A ideia é desenvolver um tratamento contra cegueira. Introduzimos um gene que codifica uma proteína sensível à luz (a ChR2) e nosso alvo é a expressão desse gene em um subconjunto de células da retina - diz o pesquisador, cujo estudo está publicado na revista "Molecular Therapy".
Em indivíduos com doenças adquiridas de visão, os fotorreceptores - transformam a luz que atinge os olhos em impulsos elétricos - são danificados, impedindo o cérebro de formar as imagens.
No mundo há experiências para o desenvolvimento de implantes eletrônicos e testes com células-tronco para estimular o crescimento de novos tecidos da retina. Porém nos casos de degeneração macular e retinose pigmentar não existe nada de concreto nesse sentido. Horsager espera mudar isso com suas pesquisas.
A pesquisa baseia-se na terapia genética usando um vírus "domesticado" para levar um gene às células-alvo (células bipolares da retina). Esta estrutura do olho contém três camadas celulares que trabalham em conjunto para detectar e transmitir sinais luminosos ao cérebro.
Primeira camada: contém os fotorreceptores, os cones e bastonetes que recebem a luz. Segunda camada: é feita de células bipolares que atuam como um canal entre o fotorreceptor. Terceira camada: é o gânglio, que transmite os sinais luminosos ao cérebro.
Em pessoas com retinose pigmentar e degeneração macular relacionada à idade, os fotorreceptores estão debilitados ou foram perdidos. Então as células ganglionares não recebem os sinais. Com a terapia genética os pesquisadores esperam que as células bipolares funcionem como fotorreceptores produzindo a ChR2. Então a célula modificada bipolar seria capaz de perceber a luz e transmitir o sinal ao gânglio, esse transmitindo ao cérebro.


A equipe de Horsager usou três grupos de camundongos: um com visão normal, e duas linhagens de roedores que ficaram naturalmente cegos com a idade, de forma semelhante aos humanos. Um grupo foi tratado com terapia gênica, enquanto outros dois não foram.
Dez semanas depois do tratamento com injeção sub-retiniana com o gene da alga nos camundongos, a equipe dissecou alguns dos animais e usou uma técnica para ver se a ChR2 se expressava na retina. Eles descobriram que a proteína estava sendo fabricada pelas células bipolares.
O maior êxito foi observado quando camundongos foram colocados no centro de um labirinto de água com seis corredores possíveis. Apenas um dos caminhos levava à borda e para fora. E uma luz no fim do caminho mostrava qual era a saída certa. Os camundongos tratados foram capazes de encontrar a plataforma duas vezes mais rápido do que os roedores não tratados. Dez meses depois, a investigação mostrou que os camundongos tratados ainda apresentavam melhora significativa da visão. Novos estudos ainda serão feitos antes de os autores iniciarem a experiência em humanos (coitados dos camundongos).
galileu
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